O Tesouro IPCA+ 2035 está sendo negociado com taxa real de 6,12% ao ano — um nível que não era visto desde 2016. Para colocar em perspectiva: uma taxa real de 6% ao ano significa que, descontada a inflação, o seu dinheiro dobra em menos de 12 anos.

Isso é muito? Depende do referencial. Historicamente, a taxa real de equilíbrio da economia brasileira fica entre 3% e 4% ao ano. Taxas acima de 6% refletem um prêmio de risco elevado — e prêmios de risco elevados podem ser uma oportunidade ou um sinal de alerta.

Dados do Ativo (27 jul. 2025)

Título: Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B)
Taxa real atual: 6,12% a.a. + IPCA
Vencimento: 15/05/2035 (≈ 9,8 anos)
Preço unitário: R$ 3.847,23
Rentabilidade estimada (IPCA 4,5%): ≈ 10,8% a.a. nominal

Por que as taxas estão tão altas?

Três fatores explicam as taxas elevadas dos títulos longos. Primeiro, a incerteza fiscal: o mercado exige prêmio adicional enquanto não há certeza sobre a trajetória da dívida pública. Segundo, o diferencial de juros globais: com os EUA mantendo juros altos, investidores estrangeiros exigem mais para manter posições em emergentes. Terceiro, a liquidez: títulos de longo prazo têm menor liquidez e, portanto, pagam prêmio de iliquidez.

Os riscos de comprar agora

O principal risco do Tesouro IPCA+ é a marcação a mercado. Se as taxas subirem após a compra, o valor do título cai — e se você precisar vender antes do vencimento, pode ter perda. Para quem carrega até o vencimento, esse risco não existe: você recebe exatamente a taxa contratada mais a inflação.

O segundo risco é a inflação acima do esperado. O IPCA+ protege contra a inflação, mas não contra surpresas fiscais que levem a uma desancoragem das expectativas. Nesse cenário, o Banco Central teria que subir os juros, e os títulos longos sofreriam marcação a mercado.

Nossa avaliação

Para investidores com horizonte de pelo menos 5 anos e que não precisarão do dinheiro antes do vencimento, taxas reais acima de 6% são historicamente atrativas. O risco de carregar até 2035 é baixo — o governo federal não deu calote na dívida interna em reais desde o Plano Collor, em 1990.

A estratégia que faz sentido é alocar gradualmente — não colocar tudo de uma vez, mas aproveitar o nível atual para começar a construir posição. Se as taxas subirem mais, você compra mais barato. Se caírem, você já está posicionado.