O Brasil iniciou mais um ciclo de cortes da Selic em junho de 2025. É o quinto ciclo de afrouxamento monetário desde a adoção do regime de metas de inflação, em 1999. Cada ciclo teve características próprias, mas o histórico oferece padrões úteis para o investidor que quer se posicionar corretamente.

O que acontece com a renda fixa

Títulos prefixados e IPCA+ de longo prazo tendem a se valorizar no início do ciclo de cortes, quando as taxas futuras caem antecipando a queda da Selic. Nos ciclos de 2016-2018 e 2019-2020, quem comprou NTN-B longas no início do ciclo obteve retornos muito acima da Selic no período.

O Tesouro Selic, por outro lado, começa a perder atratividade relativa à medida que a taxa cai. Quem mantém toda a carteira no Tesouro Selic durante um ciclo de cortes perde a oportunidade de capturar a valorização dos títulos longos.

O que acontece com as ações

Historicamente, o Ibovespa tende a se valorizar durante ciclos de corte da Selic — mas com defasagem. A bolsa costuma antecipar o início do ciclo (sobe antes do primeiro corte) e depois consolida durante os primeiros meses de cortes efetivos.

Os setores mais beneficiados são os que têm dívida elevada (utilities, construtoras) e os que dependem do crédito ao consumidor (varejo, bancos). Os setores exportadores são mais neutros, pois dependem mais do câmbio do que dos juros domésticos.

O que o ciclo atual tem de diferente

O ciclo atual começa com a Selic em 13,75% — mais alta do que nos ciclos de 2016 e 2019. Isso significa que o potencial de queda é maior, mas também que o ponto de partida é mais restritivo para a economia. O crescimento econômico está mais resiliente do que o esperado, o que pode levar o Copom a cortar mais devagar.

A principal lição do histórico é: não espere o ciclo terminar para se posicionar. Os maiores retornos nos ativos de risco e nos títulos longos costumam acontecer no início do ciclo, não no final.